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Mais de 70% dos brasileiros com internet já acreditaram em uma fake news sobre coronavírus

Nove entre cada dez brasileiros com acesso à internet já receberam pelo menos um conteúdo falso ou desinformação sobre o coronavírus. Dados são de uma pesquisa que o Fantástico mostra com exclusividade


Mais de 70% dos brasileiros com internet já acreditaram em uma fake news sobre coronavírus

Mais de 70% dos brasileiros com internet já acreditaram em uma fake news sobre coronavírus

A transmissão do coronavírus foi rápida: saiu da China, se espalhou pelo mundo e chegou ao Brasil, em apenas dois meses. Mas também são rápidas — e perigosas — as fake news sobre a doença.

Nove entre cada dez brasileiros com acesso à internet já receberam pelo menos um conteúdo falso ou desinformação sobre o coronavírus. Dos dez brasileiros, sete acreditaram no que leram. Os dados são de uma pesquisa que o Fantástico mostra com exclusividade. O estudo aponta para uma epidemia de informações falsas, que influenciam a forma como as pessoas tomam decisões sobre a própria saúde.

O repórter Murilo Salviano mostra os detalhes da pesquisa e explica quais foram as informações falsas mais compartilhadas sobre a epidemia.

Pandemia de covid-19: Jack Ma, o bilionário que tenta vencer o coronavirus e recuperar a imagem da China

Co-founder of Alibaba Group Jack Ma .

O homem mais rico da China criou um perfil no Twitter no mês passado, no meio do surto de covid-19. Até agora, todos os seus posts foram dedicados à sua enorme campanha para entregar suprimentos médicos para quase todos os países do mundo.

“Um mundo, uma luta!”, escreveu Jack Ma, dono do site Alibaba, em uma de suas primeiras mensagens. “Juntos, podemos fazer isso!”, disse em outra.

O empresário bilionário é a força motriz de uma ampla operação de envio de suprimentos médicos para mais de 150 países até agora, como máscaras faciais e ventiladores para muitos lugares que foram escanteados na demanda global por equipamentos que salvam vidas.

Mas os críticos de Ma e até alguns de seus apoiadores acham que ele pode estar se metendo em um terreno movediço.

Será que esse ousado empreendimento de filantropia global o revela como o rosto amigável do Partido Comunista da China? Ou ele é uma figura independente sendo usada pelo partido para fins de propaganda?

Jacaré ‘se aproveita’ de quarentena humana e invade quintal nos EUA; veja

Jacaré ‘se aproveita’ de quarentena humana e invade quintal nos EUA; veja1 maio 2020

Com os humanos em isolamento, muitos animais estão se “aventurando” em áreas urbanas no mundo inteiro.

Já vimos patos pelas ruas de Paris e ovelhas no País de Gales.

O caso mais recente é o do jacaré conhecido como ‘Big George’, no Estado da Carolina do Sul (EUA).

Ele foi filmado curtindo uma tarde no quintal de uma residência. Os moradores, claro, ficaram assustados com a “visita”.

Eslovênia é primeiro país da Europa a declarar fim da epidemia de coronavírus

País de dois milhões de habitantes registrou ao todo 103 mortes e 1.500 casos de contaminação do novo coronavírus; nas últimas duas semanas, registraram sete infecções por dia.


Pessoas na frente do Banco da Eslovênia, em Liubliana, em dezembro de 2019 — Foto: Srdjan Zivulovic/File Photo/Reuters

Pessoas na frente do Banco da Eslovênia, em Liubliana, em dezembro de 2019 — Foto: Srdjan Zivulovic/File Photo/Reuters

O governo esloveno anunciou o fim da epidemia de Covid-19 em seu território nesta quinta-feira (14) e reabriu suas fronteiras. Algumas medidas preventivas continuam em vigor no país da Europa Central para evitar a volta de contaminações.

A Eslovênia havia declarado a epidemia em seu território em 12 de março e é o primeiro país da União Europeia a anunciar o fim do surto. O primeiro-ministro Janez Jansa justificou a decisão afirmando, em discurso no Parlamento, que “a Eslovênia controlou a epidemia e hoje tem a melhor situação clínica na Europa” em relação à Covid-19.

Todas as fronteiras do país serão reabertas. Os cidadãos europeus poderão circular sem entraves. Os outros viajantes deverão respeitar uma quarentena de ao menos sete dias quando chegarem ao país. A Eslovênia, localizada em parte nos Balcãs, tem divisas com a Áustria, Croácia, Hungria e Itália.

A pequena nação, de dois milhões de habitantes, registrou ao todo 103 mortes e 1.500 casos de contaminação do novo coronavírus. Nos últimos dias, o número de novas infecções foi baixo. Apenas sete novos casos cotidianos diários ocorreram nas duas últimas semanas.

Medidas preventivas permanecerão em vigor

Entre as medidas que permanecerão em vigor para evitar uma segunda onda de contaminações estão a proibição de reuniões públicas, o uso de máscaras e regras de distanciamento social em locais públicos.

Pandemia vai mudar hábitos mesmo após fim da quarentena

Pandemia vai mudar hábitos mesmo após fim da quarentena

No início da semana, o governo esloveno havia anunciado a suspensão da maoria das restrições a partir da semana que vem. Em todo o país, os centros comerciais e os hoteis de até 30 quartos poderão reabrir, entre outros.

Segundo a rádio publica eslovena, ao declarar o fim da epidemia, o Estado evita a prolongação automática, até o final do mês de junho, de um conjunto de medidas de apoio econômico, adotadas para ajudar a população e as empresas a enfrentar os efeitos da quarentena e da crise provocada pelo coronavírus. Agora, o plano de apoio será suspenso no final de maio.

Estudo: ‘Cannabis queimada durante o culto’ pelos antigos israelitas

Foto de arquivo das ruínas do templo em Arad
Legenda da imagemResíduo de maconha foi encontrado em um altar no templo de Arad

Israelitas antigos queimavam maconha como parte de seus rituais religiosos, segundo um estudo arqueológico.

Uma substância bem preservada encontrada em um templo de 2.700 anos em Tel Arad foi identificada como maconha, incluindo seu composto psicoativo THC.

Os pesquisadores concluíram que a maconha pode ter sido queimada para induzir uma alta entre os fiéis.

Esta é a primeira evidência de drogas psicotrópicas sendo usadas no culto judaico, informou a mídia israelense.

O templo foi descoberto pela primeira vez no deserto de Negev, a cerca de 95 km ao sul de Tel Aviv, na década de 1960.

No último estudo, publicado no jornal arqueológico da Universidade de Tel Aviv, os arqueólogos dizem que dois altares de calcário foram enterrados no santuário.

Graças em parte ao clima seco e ao enterro, os restos de ofertas queimadas foram preservados no topo desses altares.

Planta de cannabis
Legenda da imagemAcredita-se que a maconha tenha sido queimada para induzir um efeito psicoativo nos fiéis

O incenso foi encontrado em um altar, o que não surpreende por sua importância em textos sagrados, disseram os autores do estudo ao jornal israelense Haaretz.

No entanto, tetra-hidrocanabinol (THC), canabidiol (CBD) e canabinol (CBN) – todos os compostos encontrados na maconha – foram encontrados no segundo altar.

O estudo acrescenta que as descobertas em Tel Arad sugerem que a maconha também desempenhou um papel no culto no Templo de Jerusalém.

Isso ocorre porque na época o santuário em Arad fazia parte de uma fortaleza no topo da colina, na fronteira sul do Reino de Judá, e diz-se que ele corresponde a uma versão reduzida das descrições bíblicas do Primeiro Templo em Jerusalém.

Os restos do templo em Jerusalém agora estão inacessíveis para os arqueólogos, então eles estudam Arad e outros santuários semelhantes para ajudá-los a entender a adoração no templo maior.

Coronavírus: o que podemos aprender com a única erradicação de doença infecciosa no mundo

Doença produz erupção cutânea característica cujas manchas se transformaram em pústulas
Image captionDoença produz erupção cutânea característica cujas manchas se transformaram em pústulas

Foi uma das doenças mais temidas do mundo e estima-se que, somente no século 20, tenha causado cerca de 300 milhões de mortes.

Trata-se da varíola, uma infecção altamente contagiosa causada por um vírus transmitido principalmente pela inalação das gotículas que uma pessoa infectada expele pelo nariz ou pela boca.

Seus sintomas incluíam febre e fadiga. Mas sua principal característica é a erupção cutânea cujas manchas se transformavam em pústulas que formavam cicatrizes e deixavam aqueles que conseguiam sobreviver com terríveis desfigurações.

Outros ficavam cegos devido a ferimentos causados pela infecção nas córneas.

A varíola era fatal em até 30% dos casos.nullTalvez também te interesse

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Mas, depois de pelo menos 3 mil anos em que esta infecção circulou pelo mundo, a varíola foi oficialmente declarada erradicada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 1980.

Assim, tornou-se a única doença humana que foi erradicada e, para especialistas, um dos maiores êxitos da saúde pública global.

“Foi um tremendo sucesso”, diz o professor Paul Fine, especialista em epidemiologia de doenças transmissíveis da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, à BBC News Mundo, o serviço em espanhol da BBC.

“Houve enormes sucessos na saúde pública, como fornecimento de água potável, antibióticos e muitos outros. Mas isso (erradicação da varíola), sem dúvida, foi um tremendo triunfo”, acrescenta.

Ilustração dos efeitos da varíola
Image captionMuitos dos pacientes ficavam com cicatrizes terríveis no rosto e no corpo

Mas como essa erradicação se materializou? E por que nunca mais foi possível alcançar outro marco semelhante na saúde pública global?

“Precisamos primeiro esclarecer que, no controle de uma doença, existem quatro níveis”, diz José Esparza, professor do Instituto de Virologia Humana da Faculdade de Medicina da Universidade de Maryland, nos Estados Unidos, à BBC News Mundo.

“O primeiro nível é o controle: quando a doença existe na população, mas as medidas implementadas mantêm a doença em um nível baixo, isto é, é controlável.”

“Então há eliminação: quando a doença desaparece de uma parte do mundo, mas continua em outra região.”

“Mais tarde vem a erradicação: quando a doença é varrida do mapa em todo o mundo. E há um nível mais alto chamado extinção, quando o agente ou vírus não existe mais na natureza ou no laboratório”, explica o especialista.

“Portanto, a única doença humana que foi erradicada é a varíola”, completa.

Há uma segunda doença que também foi erradicada, mas é uma doença animal: a peste bovina.

Varíola é causada por um vírus
Image captionVaríola é causada por um vírus

O caminho para a erradicação

O último caso relatado de varíola ocorreu na Somália em 1977.

Desde então, além de um caso no Reino Unido em 1978, de contágio em laboratório, nenhuma nova infecção da doença foi detectada.

Mas o caminho para a erradicação da varíola havia começado 200 anos antes, com a famosa descoberta do cientista britânico Edward Jenner que levou ao desenvolvimento da vacina contra a varíola em 1796.

Pode-se dizer que essa foi a primeira vacina humana.

A vacinação contra varíola tornou-se rotina em muitos países durante o século 19 e, em meados do século 20, já era realizada em todos os países do mundo.

“A varíola estava associada a uma mortalidade muito alta e era uma doença muito temida”, explica Paul Fine, que fazia parte da campanha de erradicação da varíola da OMS.

“Na década de 1950, todos os países ricos do mundo conseguiram eliminar a doença. Portanto, quando a OMS foi criada, após a Segunda Guerra Mundial, a erradicação da varíola foi proposta como um de seus grandes objetivos”.

Em 1967, a OMS estabeleceu a meta de erradicar a doença em uma década e, naquele ano, começou a campanha para alcançá-la.

Naquele ano, foram registradas 2,7 milhões de mortes por varíola em todo o mundo.

“O objetivo de erradicação foi finalmente alcançado em 1978 e, a essa altura, o mundo viu a varíola desaparecer rapidamente como consequência do uso global e eficaz de vacinas”, lembra Fine à BBC News Mundo.

De fato, os especialistas concordam que a varíola foi erradicada graças ao fato de o mundo ter uma vacina muito eficiente contra a doença.

Mas também houve outros fatores que facilitaram essa erradicação.

David Heymann, especialista em doenças infecciosas da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, participou do programa de erradicação da varíola na Índia.

Segundo ele, a varíola era um “alvo fácil” de erradicar.

“Primeiro, cada infecção por varíola era visível. Os pacientes tinham sinais físicos claros da doença e todos apresentavam os mesmos sintomas. Além disso, não havia infecções assintomáticas”, explica Heymann.

“Por isso, foi fácil erradicá-la porque os pacientes podiam ser localizados e isolados. Depois, aqueles que tiveram contato com eles foram rastreados e vacinados. E, portanto, acabamos sem nenhum caso nessa área em particular.”

“Essa era a estratégia chamada de ‘busca e contenção'”, explica.

O vírus da varíola, então, preencheu as condições ideais para poder ser erradicado, como explica o virologista José Esparza.

“Existem várias condições: uma é que não existam casos assintomáticos, que não existam pessoas que não sabem que estão infectadas e transmitem o vírus. Outra condição é que não sejam casos crônicos, que não seja uma infecção que se estenda por toda a vida do paciente”, diz ele.

“Outra condição muito importante é que não existam reservatórios de animais, porque às vezes ocorre que conseguimos controlar a infecção em humanos, mas ela permanece em animais. E a outra condição é que o vírus não possua variantes antigênicas, ou seja, que seja um tipo único de vírus.”

“Mas o principal é que exista uma vacina eficaz contra esse vírus. No caso da varíola, todas essas condições foram quase perfeitamente preenchidas”, diz Esparza à BBC News Mundo.

Mas essas condições “quase perfeitas” não foram observadas em outras doenças, apesar dos enormes esforços que foram feitos para erradicá-las.

Atualmente, a OMS tem metas para a eliminação de doenças como poliomielite, malária, sarampo e rubéola. Mas nenhuma atende às condições necessárias para a erradicação.

“A varíola era um alvo mais fácil do que muitas das outras doenças que agora estamos tentando controlar ou eliminar”, diz Paul Fine à BBC News Mundo.

“Um paciente com varíola era facilmente reconhecido. Mas em outras doenças, como a poliomielite, em que nem sempre há manifestação clínica dos sintomas, o risco de contágio é maior e sua erradicação, mais difícil”.

“Além disso, as vacinas contra a poliomielite não são tão eficazes quanto a vacina contra a varíola”, acrescenta.

Vacina
Image captionErradicação da varíola foi possível graças a uma vacina muito eficaz

Covid-19

Hoje, 40 anos após a erradicação da varíola, o mundo é atormentado por outra terrível doença: a covid-19.

E quando observadas as condições que levaram à eliminação e à eventual erradicação da varíola, a covid-19 — e o vírus que a causa, o Sars-CoV-2 — não parece cumprir nenhuma delas.

Edward Jenner
Image captionVacina de Edward Jenner foi a primeira ministrada em humanos

O que podemos esperar com esse vírus? Será que algum dia conseguiremos erradicá-lo?

“Acredito que essa doença vai dar a volta ao mundo, talvez mais de uma vez, e teremos várias ondas de infecção”, diz Esparza.

“Veremos esta doença seguindo seu curso natural. E estou quase convencido de que uma vacina será desenvolvida”.

“Essa combinação do curso natural da doença mais o uso estratégico de uma vacina não levará à erradicação da covid-19, nem mesmo à sua eliminação, mas levará ao seu controle”, acrescenta.

Já Fine, da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, também acredita que o novo coronavírus será um vírus com o qual viveremos por um longo tempo.

“Trata-se de um vírus especialmente violento”, diz.

“Suponho que ele não vá desaparecer por conta própria, dada a extensão de sua disseminação pelo mundo e a rapidez com que isso aconteceu.”

“Acredito que teremos que conviver com esse vírus”, conclui.

Vacina contra poliomielite
Image captionApesar dos enormes esforços para erradicar poliomielite, meta ainda não foi alcançada

Lições

A erradicação da varíola também mostrou que ela não requer apenas iniciativas científicas para combater uma doença.

Enormes esforços políticos, econômicos e sociais também são necessários para que as campanhas de saúde sejam bem-sucedidas.

Mas os especialistas concordam que talvez a maior lição de erradicação da varíola seja a importância da cooperação internacional.

“A erradicação da varíola ocorreu no auge da Guerra Fria, e ainda assim nós, do programa, trabalhamos ao lado de pessoas de todo o mundo, incluindo a União Soviética”, diz David Heymann.

“Se o mundo trabalha em conjunto, muito pode ser feito para combater a infecção, seja para um programa de erradicação ou para combater uma pandemia.”

“Então, acho que a maior lição é que a unidade global, apesar das tensões geopolíticas, é a única maneira de avançar e espero que façamos isso com a covid-19”, acrescenta Heymann.

Pacientes com varíola foram isolados e vacinados junto com todas as pessoas que tiveram contato com eles
Image captionPacientes com varíola foram isolados e vacinados junto com todas as pessoas que tiveram contato com eles

Fine concorda.

“Quando o programa de erradicação da varíola foi realizado, houve um tremendo atrito entre o Oriente e o Ocidente. Mas o mundo se uniu e houve 100% de apoio ao programa de erradicação”, lembra.

“Hoje, temos enormes problemas políticos no mundo. Mas quando se trata de saúde ou programas como esse, é possível ter apoio universal. Portanto, sou um dos que defende que as nações trabalhem juntas.”